Nós Mulheres

Não é o homem superior à mulher,nem a mulher superior ao homem.Mas não é certo dizer que ambos são iguais em tudo.
A realidade é maior e mais bonita:A mulher possui qualidades especificamente femininas que,quando se unem as qualidades especificamente masculinas,permitem conseguir resultados maiores,mais expressivos e mais ricos que poderiam se alcançar,quando cada um dos sexos trabalham separadamente.

D. Helder Câmara








sexta-feira, 25 de maio de 2012

terça-feira, 15 de maio de 2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012



Antiguidades
Quando eu era menina
bem pequena,
em nossa casa,
certos dias da semana
se fazia um bolo,
assado na panela
com um testo de borralho em cima.
Era um bolo econômico,
como tudo, antigamente.
Pesado, grosso, pastoso.
(Por sinal que muito ruim.)
Eu era menina em crescimento.
Gulosa,
abria os olhos para aquele bolo
que me parecia tão bom
e tão gostoso.
A gente mandona lá de casa
cortava aquele bolo
com importância.
Com atenção. Seriamente.
Eu presente.
Com vontade de comer o bolo todo.
Era só olhos e boca e desejo
daquele bolo inteiro.
Minha irmão mais velha
governava. Regrava.
Me dava uma fatia,
tão fina, tão delgada…
E fatias iguais às outras manas.
E que ninguém pedisse mais !
E o bolo inteiro,
quase intangível,
se guardava bem guardado,
com cuidado,
num armário, alto, fechado,
impossível.
Era aquilo, uma coisa de respeito.
Não pra ser comido
assim, sem mais nem menos.
Destinava-se às visitas da noite,
certas ou imprevistas.
Detestadas da meninada.
Criança, no meu tempo de criança,
não valia mesmo nada.
A gente grande da casa
usava e abusava
de pretensos direitos
de educação.
Por dá-cá-aquela-palha,
ralhos e beliscão.
Palmatória e chineladas
não faltavam.
Quando não,
sentada no canto de castigo
fazendo trancinhas,
amarrando abrolhos.
“Tomando propósito”.
Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela gente antiga,
passadiça, era assim:
severa, ralhadeira.
Não poupava as crianças.
Mas, as visitas…
- Valha-me Deus !…
As visitas…
Como eram queridas,
recebidas, estimadas,
conceituadas, agradadas!
Era gente superenjoada.
Solene, empertigada.
De velhas conversar
que davam sono.
Antiguidades…
Até os nomes, que não se percam:
D. Aninha com Seu Quinquim.
D. Milécia, sempre às voltas
com receitas de bolo, assuntos
de licores e pudins.
D. Benedita com sua filha Lili.
D. Benedita – alta, magrinha.
Lili – baixota, gordinha.
Puxava de uma perna e fazia crochê.
E, diziam dela línguas viperinas:
“- Lili é a bengala de D. Benedita”.
Mestre Quina, D. Luisalves,
Saninha de Bili, Sá Mônica.
Gente do Cônego Padre Pio.
D. Joaquina Amâncio…
Dessa então me lembro bem.
Era amiga do peito de minha bisavó.
Aparecia em nossa casa
quando o relógio dos frades
tinha já marcado 9 horas
e a corneta do quartel, tocado silêncio.
E só se ia quando o galo cantava.
O pessoal da casa,
como era de bom-tom,
se revezava fazendo sala.
Rendidos de sono, davam o fora.
No fim, só ficava mesmo, firme,
minha bisavó.
D. Joaquina era uma velha
grossa, rombuda, aparatosa.
Esquisita.
Demorona.
Cega de um olho.
Gostava de flores e de vestido novo.
Tinha seu dinheiro de contado.
Grossas contas de ouro
no pescoço.
Anéis pelos dedos.
Bichas nas orelhas.
Pitava na palha.
Cheirava rapé.
E era de Paracatu.
O sobrinho que a acompanhava,
enquanto a tia conversava
contando “causos” infindáveis,
dormia estirado
no banco da varanda.
Eu fazia força de ficar acordada
esperando a descida certa
do bolo
encerrado no armário alto.
E quando este aparecia,
vencida pelo sono já dormia.
E sonhava com o imenso armário
cheio de grandes bolos
ao meu alcance.
De manhã cedo
quando acordava,
estremunhada,
com a boca amarga,
- ai de mim -
via com tristeza,
sobre a mesa:
xícaras sujas de café,
pontas queimadas de cigarro.
O prato vazio, onde esteve o bolo,
e um cheiro enjoado de rapé.

sábado, 7 de abril de 2012


MÃE

Martha Medeiros

Vamos esclarecer alguns pontos sobre mães,ok?
Desconstruir alguns mitos.
Não, não precisa se preocupar.
Não é nada ofensivo, eu também sou mãe...e avó!
Vamos lá:

MÃE É MÃE: mentira !!!
Mãe foi mãe, mas já faz um tempão!
Agora mãe é um monte de coisas: é atleta, atriz, é superstar.
Mãe agora é pediatra, psicóloga, motorista.
Também é cozinheira e lavadeira.
Pode ser política, até ditadora, não tem outro jeito.
Mãe às vezes também é pai.
Sustenta a casa, toma conta de tudo, está jogando um bolão.
Mãe pode ser irmã: empresta roupa, vai a shows de rock pra desespero de algumas filhas, entra na briga por um namorado.
Mãe é avó (oba, esse é o meu departamento!): moderníssima, antenadíssima, não fica mais em cadeira de balanço, se quiser também namora, trabalha, adora dançar.
Mãe pode ser destaque de escola de samba, guarda de trânsito, campeã de aeróbica, mergulhadora.
Só não é santa, a não ser que você acredite em milagres.
Mãe já foi mãe, agora é mãe também.

MÃE É UMA SÓ: mentira !!!
Sabe por quê?
Claro que sabe!
Toda criança tem uma avó que participa, dá colo, está lá quando é preciso.
De certa forma, tem duas mães.
Tem aquela moça, a babá, que mima, brinca, cuida.
Uma mãe de reserva, que fica no banco, mas tem seus dias de titular.
E outras mulheres que prestam uma ajuda valiosa.
Uma médica que salva uma vida, uma fisioterapeuta que corrige uma deficiência, uma advogada que liberta um inocente, todas são um pouco mães.
Até a maga do feminismo, Camille Paglia, que só conheceu instinto maternal por fotografia, admitiu uma vez que lecionar não deixa de ser
uma forma de exercer a maternidade.
O certo então, seria dizer: mãe, todos têm pelo menos uma.

SER MÃE é PADECER NO PARAÍSO: mentira!
Que paraíso, cara-pálida?
Paraíso é o Taiti, paraíso é a Grécia, é Bora-Bora, onde crianças não entram.
Cara, estamos falando da vida real, que é ótima muitas vezes, e aborrecida outras tantas, vamos combinar.
Quanto a padecer, é bobagem.
Tem coisas muito piores do que acordar de madrugada no inverno pra amamentar o bebê, trocar a fralda e fazer arrotar.
Por exemplo?
Ficar de madrugada esperando o filho ou filha adolescente voltar da festa na casa de um amigo que você nunca ouviu falar, num sítio que
você não tem a mínima idéia de onde fica.
Aí a barra é pesada, pode crer...

MATERNIDADE é A MISSÃO DE TODA MULHER: mentira !!!
Maternidade não é serviço militar obrigatório!
Deus nos deu um útero mas o diabo nos deu poder de escolha.
Como já disse o Vinicius: filhos, melhor não tê-los, mas se não tê-los, como sabê-los?
Vinicius era homem e tinha as mesmas dúvidas.
Não tê-los não é o problema, o problema é descartar essa experiência.
Como eu preferi não deixar nada pendente , vivi e estou vivendo tudo o que eu acho que vale a pena nesta vida mesmo, que é pequena mas tem bastante espaço.
Mas acredito piamente que uma mulher pode perfeitamente ser feliz sem filhos, assim como uma mãe padrão, dessas que têm umas seis crianças na barra da saia, pode ser feliz sem nunca ter conhecido Paris, sem nunca ter mergulhado no Caribe, sem nunca ter lido um poema de Fernando Pessoa.
É difícil, mas acontece.
MAMÃE, EU QUERO: verdade!
Você pode não querer ser uma, mas não conheço ninguém que não queira a sua.


5 anos: "Mamãe, te amo."
11 anos: "Mãe, não enche."
16 anos: "Minha mãe é tão irritante."
18 anos: "Eu quero sair de casa."
25 anos: "Mãe, vc tinha razão."
30 anos: "Eu quero voltar pra casa da minha mãe."
50 anos: "Eu não quero perder a minha mãe."
70 anos: "Eu abriria mão de TUDO pra ter minha mãe aqui comigo."...
Vc só tem 1 mãe. Repasse se vc admira e ama a sua mãe"

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

DE MALAS PRONTAS PARA A VIAGEM



Tenho e sempre tive a convicção de que esta vida aqui é uma estação de uma longa viagem de origem e destino desconhecidos. Mas todas as vidas, a minha, a sua, a de todos, passam pelo mesmo caminho que leva ao crescimento humano e espiritual. Tem quem queira prosseguir a viagem. Tem quem queira passar voando pela estrada. Tem quem queira interrompê-la abruptamente. Tem quem passe alheio a tudo, até mesmo à vida. Esse aí não vive na verdade ... passa o tempo inteiro da viagem sentado à beira do caminho. Sem aprender, sem progredir ... sem crescer. Não viaja, nem vive ... só sobrevive. Para alguns, a viagem é curta ... nem chega a desembarcar, embarca de volta. Para outros a viagem é looooonga! Há quem leve na bagagem experiências ruins e aprenda com elas. Noutras bagagens as experiências ruins se transformam em peso ... pesam muito, viram mágoa e se transformam em doença. Na minha bagagem, as experiências ruins transformo em aprendizado. Isso as tornam leves. Na minha estrada observo cada pedrinha do caminho. O sol, a chuva, as folhas, as plantas, animais. Sou feliz por viver, por respirar, andar, enxergar, poder falar, ter corpo perfeito, cérebro que funciona, mente que trabalha. Observo especialmente o ser humano e suas diversas vestes. Não as do corpo ... porque são irrelevantes. Mas as da alma. A veste da cultura pode encobrir uma personalidade bronca, rude, vazia, egoísta. O ouro, a riqueza ... podem encobrir a pobreza extrema do espírito. Em contrapartida a veste da simplicidade pode encobrir um espírito de um estado de nobreza irretocável, sutil, de uma elevação indescritível. Fim de ano é tempo de repensar. Reavaliar o que foi feito durante um ano inteiro e sobre o que se pretende mudar. Ano Novo é hora de novos sonhos, novas auto-propostas. Não adianta sonhar, ter um reveillon maravilhoso, se não houver um reveillon íntimo. Roupas não vão vestir nem o meu, nem o seu futuro. Não importa se vou passar de branco, de prata, numa festa em família, vendo a queima de fogos ... com champagne, num lugar chiquérrimo, na montanha à beira da praia, ou num barracãozinho. Nem o cenário, nem o figurino são essenciais ... são meros detalhes. Não importa se vou virar o ano dormindo. Só não posso dormir por mais um ano. Fechar os olhos aos meus objetivos, às minhas metas, ao meu melhoramento. Se eu fizer isso não será um ano novo. Não será nada além de ``mais um novo ano velho´´. Fecho o ano agradecendo. Agradecendo a chance de existir, de respirar, andar, enxergar. Ter tido o privilégio de ser trazida à terra pelos meus anjos: pai e mãe. Ter uma família especial, ter tido uma infância de sonhos e oportunidade de aprendizado de vida, de valor imensurável. Oportunidade de ter saúde bastante para dar vida a outra vida. Oportunidade de trabalho, sob todos os ângulos. Pela oportunidade da queda que ensina a levantar ... pela oportunidade dos enganos, para aprimorar escolhas. Pela tentativa constante e incansável de manter mãos e coração limpos. Pela presença de pessoas que me amam e a quem amo também. E o presente de amigos ``presentes´´, os mais distantes, os de sempre e os que chegaram de surpresa. Estou pronta para me revisar ... me reavaliar. Estou de malas prontas. Faça as malas você também ... deixe para trás o que você não conseguiu melhorar. Melhore-se, melhore a vida de quem puder ... melhore o seu jeito de olhar e agir com o outro, com o mundo. SIGA EM FRENTE E BOA VIAGEM É O QUE DESEJO A VOCÊ DE MALAS PRONTAS PARA A VIAGEM Autor: Magaly Reinaldo

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A vida me ensinou

A pedir perdão; a sonhar acordado; a acordar para a realidade (sempre que fosse necessário); a aproveitar cada instante de felicidade; a chorar sem vergonha de demonstrar; me ensinou a ter olhos para ' ver e ouvir estrelas, embora nem sempre consiga entendê-las; a ver o encanto do pôr-do-sol; a sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser; a abrir minhas janelas para o amor; a não temer o futuro; me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente, como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que mesma tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher. Sou feliz amo minha vida, minha família, meus amigos, meu amor, meus colegas, meus rivais ! (Charles Chaplin)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Cortar o tempo




“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para diante vai ser diferente”.
Carlos Drummond de Andrade